Quinta-feira, Julho 09, 2009

Confissões a um amigo medroso

Ultimamente meus amigos é que estão inspirando meus textos. Desta vez não foi diferente. Passeando por blogs alheios, vi uma postagem que me fez pensar um bocado. Era Franco falando sobre seus medos (clique aqui para visitar o blog dele, eu recomendo!). E eu parei pra pensar nos meus, chegando a algumas conclusões sobre mim mesma.

Sabe o que me assusta um bocado? O tempo, ou a falta dele. Me assusta pensar que posso não ter tempo suficiente para fazer as coisas que quero, estar com as pessoas que amo... Também me assustam andar sozinha na rua à noite, insetos dos mais variados, pensar que sou capaz de repetir um milhão de vezes o mesmo erro e não aprender com ele.

Tudo isso me assusta.

Mas o que me apavora é a tal da intimidade.

E não estou falando sobre aquela intimidade de abrir a porta da geladeira da casa do outro, ou daquela compartilhada no sexo. Tenho medo de um tipo diferente, quase palpável, que já vi em outros mas nunca vivenciei de fato. É aquela sensação de entrega, de conhecer e ser conhecida profundamente por alguém, de um jeito que quase transforma o outro em necessidade, em parte de nós. E esse outro pode ser um grande amor, um grande amigo, a mãe, o pai, um irmão. Não importa. Importa que para esta pessoa em particular você se mostra. E eu detesto me mostrar.

Talvez isso seja um mecanismo de defesa. Talvez alguma espécie de trauma. Eu realmente não sei.

Só sei que nem o amigo mais querido sabe ao certo o que se passa comigo.
Sei que não falo de mim, e não gosto que ninguém fale.
Sei que silencio nas horas erradas.
Sei que construo muros ao invés de pontes ao meu redor.
Sei, acima de tudo, que isso é medo. E que às vezes machuca.

Ah, sim! Agora sei também que não estou só no meu medo de baratas.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

A geladeira de Ana




Ana ganhou uma geladeira Brastemp de INOX. Ana adorou a geladeira (é assim uma Brastemp, né?). Mas afinal, porque isso virou tema do blog? Porque o feminismo que se exploda, eu também queria uma geladeira dessas.

É isso aí. Eu queria uma geladeira de INOX, uma casa e uma família só minha. Queria levar os guris no colégio, saber cozinhar, me perfumar para o marido que vai chegar em casa e servir o jantar graciosamente em uma grande mesa. E enquanto sou solteira, queria visitar minhas amigas, passar tardes no cabeleireiro, na manicure, na massagista. Depois ler um romance fútil e dormir feliz.

Eu até queria um namorado-presenteador, e não ficaria irritada porque ele me deu um presente que serve para a casa, e não para mim. Mas no meu caso, prefiro que o namorado-presenteador não seja de Jacarandá. Sabe como é, estou tentando preservar a natureza.

* Aninha querida, adoro-te imensamente. E faço votos e votos de felicidade pra você e Hainer.

Domingo, Julho 05, 2009

Um domingo qualquer

Sempre achei que podia tudo, que era destemida e forte, que me bastava a mim mesma. Mas enquanto caminhava cabisbaixa, olhos no asfalto sob meus pés, descobri que não sou nada disso. E descobri como sou tão igual nas minhas diferenças e tão vazia onde acreditei pulsar tanta vida.

Em um domingo qualquer, minha vida amanheceu chuvosa. Não que isto seja ruim. Gosto da chuva caindo, porque chuva sempre me faz pensar no novo nascendo e substituindo o que queremos deixar para trás. Eu eu tenho tanto para deixar para trás. Coisas, pessoas, decisões, lembranças... e como pesam algumas lembranças...

Os anos passaram mas certas notícias continuam mexendo comigo. Sobre pessoas que achei ter deixado para trás, mas continuam me alcançando. Decisões tomadas há um longo tempo, mas sobre as quais somente agora ousei cogitar algum arrependimento.

Sempre me disseram que eu vivia fugindo. Em dado momento eu acreditei. Mas essa vontade louca de estar sempre em movimento não é fuga, é busca. Busca por um lugar que eu sinta que é meu. Por um espaço, mesmo que pequeno, ao qual eu sinta pertencer. Por essa coragem insana que tive um dia, mas se foi.

Odeio ser o que sou. Odeio me preocupar. Odeio estar disposta a ouvir e pensar a respeito dos conselhos que me dão. Porque fico assim, cheia de dúvidas, preocupada com as contas a pagar, com meu diploma que já não vale mais nada, com a possibilidade de, mais uma vez, deixar para trás alguém que só amanhã vou descobrir o quanto foi importante para mim.

Tem um mundo imenso lá fora, mas eu me sinto presa aqui. Como se o acaso tivesse me arrastado para o lugar errado e eu não tivesse forças para correr mais.

Solidão

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Ausência


Devo passar mais uns dias ausente, pois estou imensamente triste.
Com tudo.
Com todos.
Triste demais até para escrever.

Porque minha tristeza é minha, só minha, e eu não pretendo dividir.